sábado, 10 de março de 2012

FONTE: BLOG RAFAEL PEÇANHA

EDITORIAL – Em defesa do mestre
Os recentes comentários do ex-Deputado, ex-Prefeito e ex-Vereador Alair Corrêa acerca do comportamento do professor Carlos Alberto Sepúlveda dão, exatamente, o tom de sua política, sua visão de mundo, de cidade e de relacionamentos políticos, deixando clara a onda de ódio, rancor e vingança que se espalhariam pela cidade caso reassumisse a prefeitura local em um dia sombrio, frio e doloroso para o nosso povo.

Alair Corrêa merece todo o nosso respeito, pela história que construiu na política local e por algumas ações que implementou à frente de nossa cidade. O problema é que, por merecer respeito, mas não respeitar, Alair não se dá ao respeito, perdendo quase toda a sua respeitabilidade - e isso é mais do que um conjunto de pleonasmos e redundâncias.

O posicionamento do ex-Prefeito está na contra-mão de um novo momento da política brasileira, na qual a ofensa ao diferente só diminui um candidato. Há um padrão do mau jogo político dos candidatos no Brasil: usar pessoas, perder as que são de qualidade por incompetência do próprio candidato (em geral, adorador de sua própria megalomania), e, em seguida, atacá-las ferozmente, como se a culpa fosse delas, no momento em que as mesmas, simplesmente por discordarem da autolatria do político, retiram-se para outro grupo.

A solidão galopante e o isolamento natural que envolvem Alair não são mais do que frutos desse seu próprio jeito de fazer política. Prova disso é que, no mesmo texto em que ataca o professor Sepúlveda, o ex-Deputado, ex-Prefeito e ex-Vereador não consegue enumerar mais de 3 assessores “fiéis”, estabelecendo ainda a comediante divisão entre "assessores idealistas" e "assessores remunerados", claro, dando àqueles o status de heróis e àqueles de vilões. É um show de moralidade política encenado em um palco, no mínimo, suspeito. Como as coisas mudam.

Pegou mal, em toda a rede, os comentários contra o professor Sepúlveda, homem que, independentemente de posicionamentos políticos, é respeitado por toda a cidade. Eu mesmo nunca o critiquei, nem antes, nem agora, por entender que aqueles que já chegaram onde um dia eu sonho em chegar, só merecem minha admiração e apreço. Poder conversar com Sepúlveda e ouvir suas posições nos últimos dias tem me dado a certeza de que ainda é possível pensar na cidade de maneira ordeira, respeitosa e dedicada.

Necessário é, também, parabenizar aqueles que sabem e souberam separar essa integridade do professor, bem como seu próprio posicionamento, do grupo ao qual ele se filiou. Atores sociais de relevo, que discordam do posicionamento político do Deputado Jânio Mendes, também prestaram sua solidariedade ao mestre, por entenderem, assim como eu, que a questão não é para onde se vai, mas sim, a necessidade da liberdade de sair de onde se quiser e a manutenção da integridade da pessoa humana independente de suas decisões políticas.

Por essas e muitas, muitas outras, torço para que o povo de Cabo Frio analise os fatos e traga para a cidade, através das urnas, novos tempos de paz e prosperidade, e não um “planejamento” vingativo e rancoroso, disposto mais a destruir e atingir pessoalmente aquele que se posiciona diferente e menos a fazer a cidade crescer. Desrespeitar é o primeiro passo para perder o respeito.