Professor de pilates é preso por praticar medicina ilegalmente em Cabo Frio
Carlos Henrique Cerqueira Alves oferecia medicina ortomolecular e até receitava medicação
Diogo Reis

Foi
preso na manhã de hoje um professor de pilates acusado de estelionato e
prática ilegal da profissão, na academia Bioforma, à . Rua Arízio Gomes
Batista, 47 , Jardim Flamboyant, em Cabo Frio. Segundo a denúncia,
durante avaliação física dos alunos, Carlos Henrique Cequeira Alves
oferecia medicina ortomolecular, pedia exames e até prescrevia
medicamentos. Na casa do suspeito, foi encontrado diversos exames e
pedidos falsificados e materiais para extração de sangue, agulhas de
acupuntura e outros instrumentos médicos. Ele cobrava R$ 250 por
consulta e R$ 1.000 pelos exames. Entre os documentos apreendidos, na
casa dele, à , estava um pedido de registro no Conselho Regional de
Educação Física (Cref)– indício que nem a própria profissão para o qual é
graduado era regulamentada.
Ele foi descoberto pela Polícia Militar graças a denúncia de uma aluna,
uma advogada de 31 anos, que desconfiou de um exame de mineralograma
pedido em janeiro, quando ela começou as atividades na academia, que
demorou três meses para chegar – o resultado foi entregue nesta
terça-feira (8). Nos carimbos dos exames falsificados, ele assinava como
profissional em "medicina chinesa ortomolecular. Segundo os policiais
que efetuaram a prisão, sargento Frederico, cabo J. Américo e soldado M.
Aurélio, ele disse ter ter se graduado em Portugal.

"O
exame estava demorando muito para chegar. Durante uma aula de pilates,
uma outra aluna, que é médica, disse que ele não era médico depois de um
comentário que ele fez. Quando o exame chegou, eu comecei a apurar,
entrei em contato com o laboratório e descobri que o exame era
falsificado", conta a vítima, que pediu anonimato.
Os exames sobre os minerais, feitos pelo fio de cabelo, eram entregues
em nome do laboratório Biominerais, de Campinas (SP). De acordo com
eles, os resultados foram "grosseiramente falsificados". Não havia
assinatura alguma de técnicos nem comentários e os resultados era
incompatíveis com a idade da suposta paciente, que tem 31 anos.
"Baseado num exame falsificado ele me receitou um medicamento para uma
suposta intoxicação por alumínio. Hoje (quinta-feira, 10), quando a
policia chegou na academia ele tinha acabado de passar uma receita para
uma idosa, com problema de coração", indignou-se a denunciante.
De acordo, ainda, com a denunciante, na academia, as pessoas sabiam do
golpe. "Uma pessoa comentou comigo: 'todo mundo sabe que ele não é
médico, mas fingem que não sabem. Alguém tem que fazer alguma coisa'.
Informação negada pela academia. Segundo eles, o profissional foi
contratado por apresentar documentos que comprovassem as qualificações.
A reportagem do
RC24H procurou o Conselho Federal de Medicina que
informou que "não consta no cadastro nacional de médicos o nome de
Carlos Henrique Cerqueira Alves". O Cref, que confirmou o pedido de
registro do profissional em outubro de 2013. Entretanto, não foi
confirmado se ele já estava liberado para exercer a Educação Física. O
acusado é procurado pela Justiça de São Paulo por precatória no valor de
R$ 26 mil e já foi processado pela Universidade Estácio de Sá por
"enriquecimento sem causa" – este último está arquivado. O crime está
sendo registrado neste momento na 126ª DP (Cabo Frio).